May 20
Sociedade angolana
Angola e o “27 de Maio de 1977”: PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Kamba de Almeida   
Sexta, 18 Maio 2012 10:10

Angola e o “27 de Maio de 1977”:

Comemora-se mais um “27 de Maio”, a data que simboliza o horror em Angola. Foi nesta data, em 1977, que arrancou um dos maiores genocídios perpetrados no Mundo. No dia 27 de Maio de 1977, o céu desabou sobre Angola tendo dizimado os melhores filhos do país, os poucos indígenas formados e não pelo colonialismo português.
Na altura, encontrei-me me no Luangu, uma das quatro aldeias das Zonas anexas de Matadi, a capital da Provincia do Bas-Zaire hoje Baixo Congo, na ex-República do Zaire, actual Republica Democratica do Congo (RDC).
Luangu era uma das bases militares do ELNA (Exercito de Libertacao Nacional de Angola – braço armado da FNLA), a mais operacional.
Quando aconteceu a insurreição popular de 27 de Maio, Luangu fervilhava de milhares de soldados da FNLA que regressaram de Angola donde foram derrotadas e expulsas pelo MPLA.
Não vivi, não testemunhei nem senti os horores da referida data.
Para evitar a especulação, este Sikama vai limitar-se a reproduzir alguns textos públicados nos livros referentes ao 27 de Maio de 1977.
O genocídio foi perpetrado pelo MPLA contra seus próprios militantes entre os quais aqueles que usurparam o poder em Angola, a favor deste Movimento marxista-leninista (MPLA).
São eles, Nito Alves, Monstro Imortal, Bakaloff, Sita Vales, Ze Van-Dunem, para citar ainda só estes, que instauraram o poder popular em Angola e expulsaram manu militari os “inimigos lacaios do Imperialismo Yankee” da UPA-FNLA e UNITA de Angola.
São estes temíveis comandantes da Primeira (1ª) Região Militar do EPLA (Exercito Popular de Libertação de Angola – braço armado do MPLA) que defenderam Agostinho Neto no Congresso de Lusaka, na Zâmbia, contra o seu rival Daniel Chipenda.
São estes que foram caçados e executados impiedosamente por seus antigos companheiros de luta.
Dalila Cabrita Mateus e Álvaro Mateus escrevem no seu livro “Purga em Angola” o seguinte:”Militantes e simpatizantes, amigos e familiares dos “purgados”, dezenas de milhar de pessoas, homens e mulheres , velho e novos, passaram por cadeias e campos de concentração. E muitos foram mortos apos aterradores interrogações ou em fuzilamentos sumários, sem nunca terem sido julgados e sem se saber sequer onde repousam as suas ossadas. Por estranho que possa parecer, as atrocidades cometidas no Chile de Pinochet assumem modestas proporções, se comparadas com o que se passou na Angola de 1977.”
Como as palavras voam e escritas ficam, muitos livros já foram escritos por alguns que viveram na carne e alma o referido genocídio, como Américo Botelho no seu livre Holocausto em Angola, Miguel Francisco “Michel” com “Nuvem Negra” – O drama de 27 de Maio de 1977” e “Angola – O racismo como cerne da tragédia de 27 de Maio de 1977”,  José Fragoso com “O meu testemunho – a purga do 27 de Maio de 1977 e as suas consequência”, José Fragoso e Lucas Pedro “Comandante Nito Alves – A ultima vitima do MPLA no século XX” e os ouviram a ocorrência da tragédia como Dalila Cabrita Mateus e Álvaro Mateus no livro “Purga em Angola – Nito Alves, Sita Valles, Zé Van Dunem, o 27 de Maio de 1977”.
Eis, a seguir o que relatam alguns dos referidos livros:
 
“EXECUÇÃO MASSIVA NO CEMITÉRIO DA MULEMBA (14)
 
No dia seguinte (de 27 de Maio de 1977), as 19.00h, o responsável do cemitério da Mulemba (cemitério 14) esta a jantar com a família quando aparece um telefonema estranho. O seu chefe  de repartição ordena-lhe que volte ao cemitério e aguarde. O cacimbo ensopra-lhe a roupa quando, de madruga param no portão dez carrinhas celulares. Carlos Jorge e Nelson Pinheiro (Pitoco), elementos da DISA, chefiam a expedição que estaciona junto a uma vala comum de 200 metros. Mal os prisioneiros se apeiam, soam rajadas das kalachnikov. Alguns ainda têm tempo de gritar: Salvem-me que eu não fiz nada. Pitoco, chefe do pelotão de fuzilamento, atende rápido ao apelo das vitimas: Esse eh perigoso, fica para mim. Um dos coveiros aplana a terra da vala com um tractor. Ainda se ouvem gemidos. O chefe do cemitério está aterrorizado e Pitoco avisa-o: Em Angola não pode haver uma contra-revolução, por isso, se falares, vais fazer companhia a estes.” Expresso (Revista), 25.01.92
Estes são verdadeiros Pol Pot. Já leste a história de Khmers vermelho no Camboja?
Quem são os assassinos em Angola? São Carlos Jorge, Pitoco, Manuel Rui Monteiro, Pepetela, etc.
Sabe como assassinaram os comandantes Nito Alves, Monstro Imortal, Zé Van Dunem, Juca Valentim, Bakalov,  Virinha, Nandinha, dos Comissários (governadores) provinciais de Malange, Luanda e Benguela e o ministro do comercio, Minerva, e centenas de milhares de indígenas  angolanos?
Que foram os mandantes, os executores, membros das comissões de inquéritos e da comissão de lágrimas que decidiram sobre a sorte dos “detidos” muitos destes foram fuzilados?
Busca saber o papel que jogaram o Ministério da Defesa, a Fortaleza São Miguel hoje Museu das Forcas Armadas, a Casa de Reclusão e a cadeia de São Paulo em Luanda, assim como os vários Gulags (campos de concentrações) disseminados pelo país.
Os torcionários e assassinos passeiam a vontade em Angola e dão festas”.
Referência: HOLOCAUSTO  em Angola de Américo Botelho e Purga em Angola, de Dalila Cabrita Mateus e Álvaro Mateus.
 
“Uma noite no Ministério da Defesa:
Fuzilamento de 30 oficiais das FAPLA
 
Era uma dessas noites pos-27 de Maio (de 1977). No Ministério da Defesa encontravam-se Onambwe, Director nacional adjunto da DISA, e Dimuca, que chefiava as investigações gerais da Comissão Militar de Inquérito. Também lã estava o conhecido torturador Carlos Jorge.
A noite eh enviada uma ordem para a sede da DISA: “Preparar viaturas para missão muito importaste na Barra do Cuanza”. Da sede da DISA seguem cinco jipes para o Ministério da Defesa. Entram pelas traseiras que dão para o edifício da Missão Militar Soviética. Ai aguardam. A chefia pertence ao futuro capitão Tino. As viaturas levam bidões de gasolina e os soldados estão armados com automáticas akas. Desta missão toma parte Moisés, ex-aluno da Casa Pia de Lisboa, cuja família era oriunda da Guine-Bissau, e que me informou de grande parte destes acontecimentos.
Onambwe e Dimuca vêem ah porta confirmar que tudo está como foi pedido. Dirigem-se a uma das salas do rés-do-chão do edifício onde esteve a antiga Companhia de Comando do QG português. As portas abrem-se. Dentro estão cerca de trinta (30) oficiais descalços, de mãos amarradas atrás das costas e em roupa interior. Todos eles apresentam ferimentos graves. Há caras tão inchadas que já não eh possível ver os seus olhos. O “espectáculo” surpreende os próprios agentes da DISA.
Como se poderá adivinhar, eram militares acusados de terem participar no golpe de 27 de Maio. A selecção para o fuzilamento era da responsabilidade de Carmelino Pereira. Mas tal correspondia ah politica do MPLA: o extermínio de toda a oficialidade de Luanda e da 1.ª Região Militar foi a maneira  de garantir que nenhum dos traidores escapasse. Isto apesar de os oficiais terem insistido na sua inocência e esclarecido que apenas cumpriram ordens superiores. Não esquecer, em relação a estes factos, que Neto havia, precisamente, anunciado que não seria justo “utilizar o processo habitual”  e que , portanto, iria ser ditada uma sentença adequada. Estes processos sumários foram, por conseguinte, sancionados ao mais alto nível.
Pelas 22 horas, são prontamente deslocados para as viaturas. O cheiro a gasolina anuncia a morte. Eles têm agora a certeza de que vão morrer. Solta-se, então, o seu desespero e um coro de choro e gritos invade aquela noite: “Deixem-nos, ao menos, despedir das nossas famílias… das nossas mulheres…dos nossos filhos”. Entre os gritos ouvem-se os nomes das mulheres, dos filhos. Já as viaturas haviam passado o plano marginal do muro alto do Ministério e ainda se ouviam estas vozes do desespero. Alguns agentes da DISA choram, entre os quais o próprio Moisés que partira com muita renitência. Os 70 Km que separam Luanda do local escolhido na Barra do Cuanza foram desgastantes: o choro, as suplicas, os gritos. O rosto dos militares que os acompanhavam exprimia a sua estupefacção e o seu silencio não iludia o constrangimento e a inominável repulsa que os habitava. Tenha-se presente que muitos eram subordinados daqueles oficiais prisioneiros. Ontem, eram disciplinados valentes chefes militares; hoje, condenados que choram como crianças. Um dos militares tinha mesmo um primo entre os condenados, facto que ilustra bem a arbitrariedade desta execução.
Em São Paulo, no pos-27 de Maio, as noites que eram vandalizadas por vozes de chamamento traziam um medo impronunciável. Não só porque esses horizonte pendia sobre a cabeça de quase todos, mas também porque, na organização destas procissões de condenados, reinava frequentemente a arbitrariedade. Pense-se nos casos em que as vitimas foram levadas e assassinadas por engano, ou naqueles outros casos em que, sobrando espaço nas viaturas, os carrascos regressavam às celas para, a olho, seleccionar mais algumas vitimas (eh viva em mim a memoria do sucedido com o Augusto Inglês, preso no 27 de Maio, que foi levado para a ambulância da morte em vez de um tal José Inglês, acabando por ser salvo in extremis daquela confusão).
Por vezes o requinte era tal que alguns algozes vinha para São Paulo contar com pormenor o que se tinha passado nos fuzilamentos. Refira-se um exemplo. Kapakala e mais dezasseis condenados foram fuzilados por ordem do Tribunal. Ora, no dia seguinte, aquele mesmo que tinha ordenado o fuzilamento estava em São Paulo a contar como tudo se tinha passado perante o horror no rosto dos ouvintes – diziam que esse metido era do agrado dos dirigentes máximos do MPLA.
Na Barra do Cuanza
Chegam, por fim, ao local destinado. É noite cerrada. Uma clareira perto da estrada. Uma barraca de apoio aos militares que guardam esta zona, e tudo o mais eh deserto. Os prisioneiros são descidos das viaturas e a gasolina descarregada. As viaturas são dispostas de forma a iluminarem o sitio indicado pelo guarda militar local. Este policiamento local e permanente justificava-se pela frequência destas execuções.
Tino levava instruções para fazer sofrer os condenados até aos limites da sua imaginação e experiencia. E, de facto. Tino revelou-se um notável executor de tais instruções. Este, eh, sem duvida, um dos testemunhos mais eloquentes da violência arbitraria e brutal que o MPLA fez perpetuar no território angolano.
Com o pelotão de execução já alinhado, dirige a palavra aos condenados, como se de um julgamento se tratasse:
- Camaradas, houve um golpe em Luanda. Determino que vocês, aqui perante mim, digam a verdade – e acrescenta – Quem não disser a verdade será imediatamente abatido!
De seguida aponta para o primeiro e pergunta:
- Fizeste parte do levantamento?
- Camarada, eu fazia parte da 9.a Brigada … - responde este com a voz inundada de medo.
- Camarada, eu não tomei parte em nada – afirma o segundo.
- Ah! Não tomaste parte! Muito bem! – Ordem que este oficial seja colocado de costas para o mar e grita:
- Fuzilar!
Os militares dispara. O barulho eh ensurdecedor (por isso procuram um local como este, descampado, com uma única testemunha isenta, o oceano). O terror aumenta no rosto dos oficiais. O corpo fuzilado cai no chão trespassado de balas. Sob as ordens de Tino o corpo eh  regado com gasolina e incendiado. Arde como um archote e incha como se de um balão  se tratasse. Por fim rebenta, ardendo ate ficar reduzido a cinza. O arrependimento estampa-se no rosto dos próprios militares da DISA. Mas o aviso está feito:
- Digam a verdade, caso contrario vai já acontecer o mesmo – vocifera Tino.
Seria difícil imaginar um processo de execução mais violento, sádico e, sobretudo, mais eficaz na fermentação do medo na consciência  daquelas  vitimas seleccionadas para este “abate”. A noite, a completa irracionalidade do interrogatório, os tiros, o sangue, a gasolina… adensaram o terror, fazendo desta antecâmara da morte um verdadeiro inferno. De facto, diante de tudo aquilo que viram e ouviram, todos optaram  por confessar o que lhes era pedido. Porem, quando o ultimo se acusou, logo recomeçou a execução; a morte tinha sido adiada por poucos minutos. Foram mortos um a um, para que cada um fosse obrigado a ver na morte dos companheiros, preludio da sua própria. No fim, depois dos “ritos” da bala, seguiu-se o banho de gasolina e a respectiva cremação dos corpos num autentico gesto de ostentação do horror. A pá lançou os últimos resíduos ao mar, selando o destino trágico desta geração angolana de oficiais e procurando calar qualquer evidencia que denunciasse estes fuzilamentos.
Por agora tinha acabado, mas no dia seguinte a sessão continuou. Moisés, entre outros elementos da DISA, tentaria esquivar-se a este serviço certamente por acharem que aquelas modalidades de fuzilamento se revestiam de uma desumanidade insuportável.”
Ref.: BOTELHO, Américo Cardoso, HOLOCAUSTO em Angola, pp. 92-95, Nova Veja, 2007
Quem é este Tino e onde anda?
“Torturas e morte
 
Fuzilamento de Nito Alves, Monstro Imortal e Juca Valentim
 
Maria da Luz Veloso conta:
Ouvi os interrogatórios de muitos homens. Mas de um lembro-me em especial, pelo silencio entredcortado de gemidos horrorosos. Vinham do mais fundo das entranhas, um sofrimento lancinante. Era o Juca Valentim. Quando morreu, os algozes passaram no corredor. E riam ao pronunciar-lhe o nome:
- Juca Valentin. Juca Valentiiiiiiim.
Acusaram-no de querer matar o Presidente. E no entanto fora ele que lhe salvava a vida.
João Jacob Caetano, o lendário Monstro Imortal, morreu com o garrote de nguelelo. Também  consta que o tinham cegado.
Foi interrogado por Pedro Tonha (Pedalé), o qual , possivelmente como premio, subira do 10º para o 4º lugar na hierarquia do MPLA. No entanto, nem coragem tinha para lhe fazer as perguntas. Os algozes deixavam na sala um gravador, para depois reproduzirem o que dizia. E iam apertando o garrote. João Jacob Caetano só dizia:
- Mas quem são vocês. Não vos conheço. Chamem o Neto para me interrogar.
Ao que parece, atiraram o corpo de um avião.
Um ultimo caso, o de Nito Alves.
João Kandanda, militar das FAPLA, e agente da DISA, depois de afirmar que Nito nunca foi julgado, porque não havia tribunal para o julgar e condenar, declara:
Tinha sessões de tortura psicológica e às vezes físicas, para dizer o que queríamos. Havia dias  em que passava fome e ficava de pé na estatua. Lembro-me de uma vez ter ficado cinco dias sem comer nem beber.
Afirmava que sabiam perfeitamente que nunca quisera dar um golpe de Estado  e muito menos matar Agostinho Neto. Julião Mateus Paulo (Dino Matross), actual secretário-geral do MPLA, afirma ter visitado Nito Alves na Fortaleza (actual Museu das Forcas Armadas). E diz tê-lo ouvido dizer que estava a defender Agostinho Neto.
A indicação para o seu fuzilamento terá sido do presidente da Republica (Agostinho Neto), embora na Fortaleza, onde estava, a ordem tenha sido dada por Iko Carreira, Henrique Santos (Onambwe) e Carlos Jorge (Cajoh).
Nito não quis que lhe tapassem os olhos, pois queria ver os que iam matar. O corpo foi varado por umas três dezenas de balas. E um dos chefes ainda lhe foi dar o tiro de misericórdia.
O seu corpo foi atirado ao mar, com um peso.
A Fortaleza de S. Miguel eh para a qual foram os presos mais importantes, Monstro Imortal, Jose Van-Dunem, Bakalov.”
Ref.: MATEUS, Dalila Cabrita, et MATEUS, Álvaro, Purga em Angola, Nito Alves, Sita Valles, Zé Van Dunem, o 27 de Maio de 1977, pp. 121-123, ASA Editores S.A., Lisboa, 2007.
 
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SIKAMA (Acordar, Despertar)
Por Makuta Nkondo
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Descentralização de serviços pode reduzir engarrafamentos PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Kamba de Almeida   
Terça, 15 Maio 2012 08:01
Descentralização de serviços pode reduzir engarrafamentos
 
O arquitecto angolano Emanuel Seluyeki disse hoje que a descentralização dos serviços administrativos que provocam maior afluxo de pessoas em algumas zonas pode atenuar o engarrafameno nas cidades e estradas nacionais.


Segundo o técnico, a concentração destes serviços possibilita o aglomerado de pessoas, congestionando as vias que dão acesso a estes locais, sendo imperiosa a descentralização.


Outra solução passa pela reabilitação e manutenção das vias secundárias e terciárias, por forma a permitir a circulação rodoviária pelo interior dos bairros e descongestionar as vias principais.


Acção semelhante deve ser efectuada nas estradas principais para que a circulação possa ser feita sem constrangimentos.


Em Luanda é notório todos os dias o engarrafamento em quase todas as vias, situação que dificulta o trânsito automóvel e implica embaraços a todos os sectores da vida.


 

 
Organização Internacional toma posição contra as ameaças ao Jornalista Angolano PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Kamba de Almeida   
Sábado, 12 Maio 2012 10:16

Organização Internacional toma posição contra as ameaças ao Jornalista Angolano

Angola – ameaças contra o defensor dos direitos humanos e jornalista Coque Mukuta

 

Na noite de 01 de maio indivíduos não identificados invadiram a casa do Sr. Coque Mukuta pela terceira, marcando a mais recente ameaça contra o jornalista. O Sr. Mukuta tem sido alvo de diferentes ameaças e perseguições recentemente.

Coque Mukuta é jornalista da Rádio Despertar e tem feito a cobertura das manifestações em Angola. Ele é coautor do livro recentemente publicado “Os Meandros das Manifestações em Angola – I Volume”. O livro descreve as manifestações anti-governo que ocorreram em Angola em 2011 e no início de 2012, e como em diferentes ocasiões as forças de segurança violentamente interromperam as demonstrações e perseguiram os manifestantes.

Nas noites de 01 de Maio, 29 e 27 de abril indivíduos não identificados invadiram a casa do Sr. Mukuta. Na primeira ocasião, por volta das 22:45, alguns indivíduos entraram em sua casa e acredita-se que lá ficaram até às 03:00 da manhã do dia seguinte. Na manhã de 28 de Abril, o Sr. Mukuta se dirigiu ao Comando da Divisão da Polícia do Cazenga para denunciar a invasão. Um dia depois, 29 de Abril, uma situação similar ocorreu quando indivíduos entraram em sua casa por volta das 23:55. Desta vez a polícia chegou rapidamente e fez a vigilância do local até a manhã do dia seguinte. No dia 01 de Maio, alguns indivíduos entraram na residência do jornalista pela terceira vez por volta das 23:50 e ficaram por lá por pouco mais de uma hora. Nada foi roubado da casa do jornalista.

No dia 15 de Abril o defensor dos direitos humanos foi parado no aeroporto em Angola no seu retorno ao Brasil, onde esteve para promover o seu livro. Ele estava com cerca de 300 cópias de seu livro e teve que esperar algumas horas até ser liberado e poder sair com sua bagagem.

No dia 21 de Março um grupo chamado Jovens Organizados para Defesa de Angola deixou uma carta em sua casa ameaçando o jornalista. A carta dizia “Koke Mukuta é melhor mudares de bairro, bandido” e “Você não tem medo, cuida-se”.

Em 2010 a Assembleia Nacional aprovou uma nova Constituição que garante a liberdade de assembleia e manifestação pacífica. Indo no mesmo sentido, as leis em Angola permitem que demonstrações ocorram sem a autorização prévia do governo. Entretanto, desde de 2009 o governo tem tomado medidas para banir ou prevenir a maioria das manifestações pacíficas. Em 2011, um movimento apartidário composto por jovens e inspirado na Primavera Árabe, organizou em Luanda uma série de manifestações contra o governo. As autoridades responderam com uso excessivo da força e acções intimidatórias como a detenção de participantes e jornalistas. Além disso as autoridades espalharam medo entre a população alegando o risco de guerra civil.

Os três episódios de invasão descritos acima mais a carta de ameaça, deixam a Front Line Defenders seriamente preocupada com a segurança e integridade física e psicológica do defensor dos direitos humanos Coque Mukuta e de seus familiares. A Front Line Defenders acredita que estas ações fazem parte de uma campanha mais ampla de intimidação, ameaça e perseguição de Coque Mukuta relacionadas diretamente ao seu trabalho legítimo e pacífico em defesa dos direitos humanos em Angola, particularmente em seus esforços relativos à cobertura da resposta do governo às manifestações ocorridas em 2011.

A Front Line Defenders solicita as autoridades de Angola à:

1. Assegurar que a investigação às ameaças contra o defensor dos direitos humanos Coque Mukuta seja completa e imparcial, seus resultados publicizados e os responsáveis pelo crime sejam trazidos à justiça de acordo com os padrões internacionais;
2. Tomar todas medidas necessárias para garantir a integridade física de psicológica de Coque Mukuta assim como de seus familiares;
3. Garantir em todas as circunstâncias que os defensores dos direitos humanos em Angola sejam capazes de executar suas actividades legítimas e pacíficas de direitos humanos, sem medo de represálias e livre de qualquer restrição.

 
Luanda: Governo quer "comprar" lixo PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Kamba de Almeida   
Sexta, 11 Maio 2012 10:22

Luanda: Governo quer "comprar" lixo

O governo de Luanda vai lançar um projecto de limpeza pelo qual os cidadãos serão pagos pelo lixo que recolherem e entregarem às autoridades. A recolha do lixo, assim como o seu processo de tratamento, continua a colocar enormes desafios às equipas administrativas de Luanda.


Aliás vencer o lixo foi, desde o passado, bandeira de realização dos diversos governadores nomeados.

A importância da limpeza da cidade tem expressão monetária e reflecte-se no Orçamento Geral do Estado. Mil milhões e setecentos e catorze milhões de dólares americanos é quanto recebe Luanda por ano. Ou seja 4% do OGE-Orçamento Geral do Estado. Deste valor, mais de trinta e dois porcento é dedicado a Protecção Ambiental, rubrica do Orçamento dentro da qual  se julga caber o processo de gestão dos resíduos.

Deste investimento, quando se olha para a parte de Luanda metropolitana, as autoridades parecem manter o controlo da situação, graças também a uma especial atenção que prestam, implicando para o efeito, grande concentração em meios e homens nas ruas.

O grande desafio porém, continuam a ser as  áreas peri-urbanas, devido por um lado as dificuldades enfrentadas pelos operadores em chegar aos pontos críticos.

Ressaltando a importância prestada a limpeza da cidade, Bento Bento governador de Luanda anunciou que passaria a comprar lixo dos cidadãos. É desejo do Executivo dar oportunidade de participação no negócio.
“O lixo passará a ser também um negócio para o povo e para a juventude, pois poderão passar a recolher o lixo e vender directamente ao Governo” disse.

O plano segundo o governante é uma iniciativa do presidente José Eduardo dos Santos, “com objectivo de tirar milhares de famílias da pobreza”.

António Lúcio Martins coordena a Comissão de Gestão da Elisal- empresa pública de limpeza mostrou-se  optimista quanto a implementação prática da iniciativa.
Alguns cidadãos contactados pela Voz da América mostraram-se optimistas quanto ao programa afirmando que poderá retirar pessoas do desemprego.

Sérgio Kalundungo disse no netanto que  a problemática do lixo em Luanda é uma questão que devia ser encarada numa perspectiva de cidadania.

O governo provincial de Luanda mandatou a Comissão de Gestão renegociar os contractos das operadoras de limpeza. A decisão sugere preocupação com o peso deste item na despesa pública.
Para Sérgio Kalundungo, mais importante do que esta revisão seria diagnosticar onde se tem falhado.

O executivo, disse ele, não deu "mostrar de ter compreendido "onde falhou previamente", acrescentando que devia haver tambem "muito"investimento na educação das pessoas sobre a necessidade de limpeza. "A cidade estará limpa quando nós os cidadãos sujarmos menos e não quando contratarmos mais pessoas para limpar," disse.
 
 
OMUNGA quer “devidas” explicações sobre assassinato do seu activista PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Kamba de Almeida   
Sexta, 04 Maio 2012 03:36

OMUNGA quer “devidas” explicações sobre assassinato do seu activista

COMUNICADO DA OMUNGA SOBRE ASSASSINATO DE JÚLIO SANTOS KUSSEMA

A 24 de Abril de 2012, JÚLIO SANTOS KUSSEMA (na foto), foi assassinado com três tiros na cabeça, por volta das 22 horas, no município da Catumbela, por pessoas não identificadas, enquanto se encontrava a trabalhar num pequeno estabelecimento.


Júlio Santos Kussema, natural do Lobito, e residente no Bairro da Luz, licenciou-se em gestão de empresas pela Universidade Lusíada e foi voluntário da OMUNGA como facilitador da oficina de informática entre 2007 e 2009.


A OMUNGA encontra-se chocada com o acontecimento sem no entanto estabelecer qualquer relação entre o assassinato e a ligação que o mesmo manteve com a OMUNGA.


A OMUNGA aproveita mais uma vez para endereçar as condulências à família enlutada e solicitar à Polícia Nacional para que continue com as devidas investigações.

 

José António Martins Patrocínio


Coordenador

 

 


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