| Estou na banda e na trincheira - William Tonet |
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| Escrito por Kamba de Almeida |
| Segunda, 23 Janeiro 2012 09:28 |
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Estou na banda e na trincheira - William Tonet
Luanda - Estou na banda, no meu país: Angola. Na minha trincheira: Folha 8. E no seio da minha família, aquela que pulsa comigo o sentir desta luta libertária no nosso torrão tão rico em riquezas naturais, mas com um povo vivendo tão mal, tão miseravelmente posto de parte pela discriminação e má gestão da coisa pública. Fonte: Folha8
Voltei para agradecer, mais uma vez, a todos que num momento delicado da minha vida, souberam emprestar a sua solidariedade e reza, na altura da intervenção cirúrgica a que fui submetido.
Voltei, por ser da estirpe de homens que ao matar a cobra, não só a mostra, como também exibe o pau, logo não poderia nunca deixar de assumir as minhas responsabilidades nesta hora.
Reconhecer os erros, enquanto humano, não diminui ninguém…Nós somos respeitadores das instituições deste país e dos seus responsáveis, por sermos ao mesmo tempo críticos e fiscais da sua acção.
A nossa missão não é falsear os actos do poder é observá-la, louvá-la e criticá-la, quando em causa estiverem os desvios e a má-gestão da coisa e bens públicos.
Voltei, também para agradecer a todos os bajuladores do templo que se dispuseram a criticar o F8, os seus jornalistas e o director, sem nunca o terem lido e nem sequer terem visto a polémica imagem. Tenho pena deles enquanto bocas de aluguer e rezo porque eles não são culpados e por isso nem lhes assaco responsabilidades, pois se a maioria nunca leu um livro do Tio Patinhas, como poderia falar com outra propriedade que não a da subserviência idólatra ao nosso templo pagão?
O Folha 8, enquanto corpo vivo, tem renovado as suas células na dinâmica e natural lei da vida, tem passado várias provações, tem resistido à discriminação e perseguição do poder, tem atravessado o deserto, mesmo quando institucionalmente o regime ordena que não se coloque publicidade no nosso bissemanário, como forma de nos asfixiar. O nosso lema é a defesa de aquém menos tem. Para começar, defesa das tribos autóctones, com particular realce para os Koishan, defesa das línguas angolanas, defesa da devolução da Terra à soberania do povo na Constituição, tudo questões que causam calafrio à visão luso-tropicalista de muitos senhores no regime. Mas, mesmo que pesem todas as intempéries a que somos submetidos, temos de avançar e vamos continuar a nossa caminhada com o corpo dos jornalistas guerreiros que sabem resistir à dureza da vida em nome da cidadania e da democracia, rejeitando a comodidade e o aprisionamento da consciência em troca dos dólares da discriminação.
É verdade que em 1977, também foi assim, quando era director do JA, Costa Andrade Ndunduma, que caricaturou Nito Alves no corpo de uma víbora e Artur Pestana Pepetela, não obstante reconhecê-lo como grande escritor, emprestou a sua pena a um texto demoníaco, que sentenciou a morte de milhares de militantes do MPLA.
Portanto esta é uma estratégia do regime, ao longo dos anos, quando as coisas estão a correr mal, não se importa de ter as mãos lambuzadas e manchadas de sangue. O Folha 8 é apologista de um combate cerrado à má governação, à má distribuição da riqueza nacional, à discriminação e à corrupção, mas nunca propôs a morte de ninguém nas suas páginas, pelo que lamento ainda existir gente no seio do MPLA e do JA, que não se arrepende de ter as suas impressões digitais num dos maiores homicídios contra a humanidade, depois da II Guerra Mundial, no 27 de Maio de 1977, onde foram assassinados cerca de 80 mil jovens... Salva-nos a certeza de que este crime não prescreve e um dia alguém irá responder no Tribunal Penal Internacional da Haia…
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